Não gosto de birras, de comportamentos bizarros que apresentas e que, outrora, eu recriminava nos filhos dos outros.
Não gosto que não partilhes e que tenhas um sentimento de posse tão enraízado. Mesmo que seja só uma fase. Mesmo que seja normativo.
Não gosto de me sentir perdida na forma de te conduzir.
Não gosto que tenhas perdido os teus caracóis de ouro.
Não gosto de olhar para fotografias de há um ano atrás e e sentir que perdi uma imensidão de ti.
Não gosto de não te ir buscar à escola. Mesmo que seja melhor para ti seres resgatado mais cedo.
Não gosto da tua manifesta independência de mim em múltiplos domínios...
Saturday, February 23, 2013
Monday, February 18, 2013
Gosto.
Gosto do cheiro do teu cabelo.
Gosto das tuas mãos perfeitas e das festas que recebo delas (mesmo que sejam manipuladas por mim).
Gosto que me peças colo quando estamos os dois deitados e venhas para cima de mim (ainda que há muito que não te aloje no meu abdómen, como fazia há 3 anos atrás).
Gosto que cantes. Tanto tanto até me emocionar.
Gosto dos teus abraços quando chego ao final do dia (mesmo que escassos).
Gosto de dançar contigo e de saltar contigo em cima da cama. Na mesma proporção que tu.
Gosto do teu sorriso e da tua gargalhada aberta quando te faço rodopiar ou te encho de cócegas.
Gosto que cavalgues em cima da minha perna, enquanto trauteio o Dartacão...
Gosto de não acabar as palavras para que sejas tu a completá-las.
Gosto que gostes.
Thursday, February 14, 2013
A frase no processo.
Enquanto eu trabalhava na mesa do escritório, sentaste-te ao meu colo, olhaste os meus processos, apontaste para uma frase de um deles e exclamaste:
- "Está aqui escrito que hoje não vais trabalhar."
(...)
- "Porquê?" - perguntei eu
- "Porque vais ficar comigo!"
Comentários prescindem-se.

Tuesday, February 5, 2013
A ludoteca e a birra
Hoje fomos à Ludoteca que não parece, de todo, um espaço público. As pessoas são simpáticas e pacientes e mimam os meninos, o local tem uma decoração linda, há múltiplos brinquedos, jogos, um quarto com cama e mesa de cabeçeira em miniatura e uma cozinha de brincar. Uma pista de madeira que faz as tuas delícias. Um mimo. Gratuito. Totalmente gratuito.
E, uma vez mais, não soubeste partilhar os brinquedos ainda que a mamã te tenha dito, antes de entrar, que eles eram de todos e que tínhamos que emprestar. Reages mal à frustração e tens na birra a tua melhor aliada para lidares com ela. Deitas-te-te no chão duas vezes, esperneaste e choraste para espetáculo dos presentes e minha vergonha. Obrigaste-me a roubar-te ao espaço, a dar-te um ultimato. E deixaste-me impotente e triste enquanto digeria, a tanto custo que educar é uma tarefa de uma enorme complexidade.
A propósito de birra:
"As MANIFESTAÇÕES das birras são várias: choro, gritos, pontapés, rigidez, extensão dos membros e do tronco. Além disso, a criança pode bater nos outros, bater com a cabeça no chão ou nas paredes, morder-se, atirar-se para o chão, espernear, fugir, atirar com objectos, suster a respiração ou desencadear o vómito.
As CAUSAS da birra, nestas idades, devem-se ao facto de a criança não possuir, ainda, mecanismos para lidar com a frustração, a sua linguagem verbal é insuficiente, não tem capacidade para perceber o futuro e adiar as suas vontades e tem poucas competências para resolver problemas. Pode, assim, recorrer à birra para chamar sobre si a atenção do adulto ou, sobretudo a partir dos 3 anos quando já domina melhor a linguagem falada, como forma de obter o que quer e manipular o adulto."
E então, o que fazer?
Mantenha a calma. Talvez a coisa mais difícil de fazer no meio de uma sessão de birras, mas a mais eficaz. Se contribuir para esse cenário, estará a assemelhar os dois comportamentos e, no que toca à pequenada, elas imitam muito facilmente o comportamento dos adultos, seja positivo ou negativo. Respire fundo, não eleve a voz, não ceda aos nervos, seja claro e dê o bom exemplo.
Ignore-a. Pode parecer, à primeira vista, um pouco desumano ignorar uma criança, mas no fundo, pretende-se que ignore a birra – não responda à criança, não olhe para a criança, não acuse o seu comportamento de forma alguma. Nas primeiras birras esta atitude pode não resultar em pleno, aumentando até a sua intensidade (para chamar a sua atenção claro!) mas, se o fizer regularmente, as birras vão acabar porque a criança vai perceber que não estão a surtir efeito.
Evite utilizar a força física com a criança. A birra em si já é tão “violenta” e descontrolada que bater a criança vai apenas incendiar um fogo que já está a arder e muito. Para além disso, as birras podem ter subjacentes outros cenários: cansaço, fome, stress, o que significa que o mais importante nesse momento é reconquistar a estabilidade.
Deixe a criança sozinha. Se a birra ocorrer em casa ou noutro espaço familiar, experimente distanciar-se da criança, deixando-a sozinha durante alguns minutos ou segundos. Claro que uma criança zangada e a só pode fazer estragos, por isso, controle esse tempo conforme a sua idade – os especialistas apontam para um minuto para cada ano da criança (se a criança tiver 5 anos, não a deixe sozinha mais do que 5 minutos, por exemplo). É uma espécie de “castigo” que funciona muito bem porque, não tendo “audiência” a criança vai acabar por se acalmar mais rapidamente. No entanto, e para se salvaguardar de uma possível parte dois, só a deixe voltar com estiver tranquila e em silêncio pelo menos durante 30 segundos seguidos.
Não ameace com castigos que não vai conseguir cumprir. Se optar por esta estratégia ameaçadora, mas sem consequências reais, a criança não terá problema algum em repetir a birra. Uma criança tem de estar ciente das consequências que possam advir das suas acções, boas e más. Da mesma forma que deve ser elogiada por ter arrumado o seu quarto ou brinquedos, tem de ser castigada se bater no irmão ou fizer uma birra. Uma das estratégias mais utilizadas com as crianças que fazem birras é colocá-las sentadas numa cadeira já designada para o efeito ou então numa esquina, de onde apenas podem sair quando a mãe ou pai disser. Ora, como detestam estar confinados, os miúdos normalmente acalmam-se rapidamente e, ansiosos para saírem da sua “prisão”, começam logo a pedir para sair com promessas de bom comportamento!
Como lidar com birras persistentes? Claro que existem miúdos com pulmões de verdadeiros sopranos e pilhas que parecem não ter prazo de vida, resultando em birras que não cessam e têm tendência para piorar. Nestes casos, é importante estabelecer contacto físico com a criança (colocar-se ao seu nível, abraçá-la, pegar nela ao colo), com o intuito de a acalmar, sem ceder ao seu pedido. Concentre-se no seu estado emocional e não na sua exigência, falando com ela tranquilamente, de preferência sobre outras coisas. Felizmente, a fase das birras é isso mesmo, uma fase passageira. No entanto, se sentir que as birras da sua criança se tornam mais frequentes e sem sinais de abrandamento, fale com o seu pediatra.
Converse muito. Finda a birra, é importante conversar com a criança sobre aquilo que se passou – o que estava certo e o que estava errado, porque é que não pode voltar a acontecer, as consequências de uma futura birra e as consequências do bom comportamento. A autodisciplina é ensinar a criança a controlar, positivamente, as situações em que se encontra. Uma vez conquistada, as birras desaparecem, quase como por magia.
Acho que me portei bem e passei no teste.
E, uma vez mais, não soubeste partilhar os brinquedos ainda que a mamã te tenha dito, antes de entrar, que eles eram de todos e que tínhamos que emprestar. Reages mal à frustração e tens na birra a tua melhor aliada para lidares com ela. Deitas-te-te no chão duas vezes, esperneaste e choraste para espetáculo dos presentes e minha vergonha. Obrigaste-me a roubar-te ao espaço, a dar-te um ultimato. E deixaste-me impotente e triste enquanto digeria, a tanto custo que educar é uma tarefa de uma enorme complexidade.
A propósito de birra:
"As MANIFESTAÇÕES das birras são várias: choro, gritos, pontapés, rigidez, extensão dos membros e do tronco. Além disso, a criança pode bater nos outros, bater com a cabeça no chão ou nas paredes, morder-se, atirar-se para o chão, espernear, fugir, atirar com objectos, suster a respiração ou desencadear o vómito.
As CAUSAS da birra, nestas idades, devem-se ao facto de a criança não possuir, ainda, mecanismos para lidar com a frustração, a sua linguagem verbal é insuficiente, não tem capacidade para perceber o futuro e adiar as suas vontades e tem poucas competências para resolver problemas. Pode, assim, recorrer à birra para chamar sobre si a atenção do adulto ou, sobretudo a partir dos 3 anos quando já domina melhor a linguagem falada, como forma de obter o que quer e manipular o adulto."
E então, o que fazer?
Mantenha a calma. Talvez a coisa mais difícil de fazer no meio de uma sessão de birras, mas a mais eficaz. Se contribuir para esse cenário, estará a assemelhar os dois comportamentos e, no que toca à pequenada, elas imitam muito facilmente o comportamento dos adultos, seja positivo ou negativo. Respire fundo, não eleve a voz, não ceda aos nervos, seja claro e dê o bom exemplo.
Ignore-a. Pode parecer, à primeira vista, um pouco desumano ignorar uma criança, mas no fundo, pretende-se que ignore a birra – não responda à criança, não olhe para a criança, não acuse o seu comportamento de forma alguma. Nas primeiras birras esta atitude pode não resultar em pleno, aumentando até a sua intensidade (para chamar a sua atenção claro!) mas, se o fizer regularmente, as birras vão acabar porque a criança vai perceber que não estão a surtir efeito.
Evite utilizar a força física com a criança. A birra em si já é tão “violenta” e descontrolada que bater a criança vai apenas incendiar um fogo que já está a arder e muito. Para além disso, as birras podem ter subjacentes outros cenários: cansaço, fome, stress, o que significa que o mais importante nesse momento é reconquistar a estabilidade.
Deixe a criança sozinha. Se a birra ocorrer em casa ou noutro espaço familiar, experimente distanciar-se da criança, deixando-a sozinha durante alguns minutos ou segundos. Claro que uma criança zangada e a só pode fazer estragos, por isso, controle esse tempo conforme a sua idade – os especialistas apontam para um minuto para cada ano da criança (se a criança tiver 5 anos, não a deixe sozinha mais do que 5 minutos, por exemplo). É uma espécie de “castigo” que funciona muito bem porque, não tendo “audiência” a criança vai acabar por se acalmar mais rapidamente. No entanto, e para se salvaguardar de uma possível parte dois, só a deixe voltar com estiver tranquila e em silêncio pelo menos durante 30 segundos seguidos.
Não ameace com castigos que não vai conseguir cumprir. Se optar por esta estratégia ameaçadora, mas sem consequências reais, a criança não terá problema algum em repetir a birra. Uma criança tem de estar ciente das consequências que possam advir das suas acções, boas e más. Da mesma forma que deve ser elogiada por ter arrumado o seu quarto ou brinquedos, tem de ser castigada se bater no irmão ou fizer uma birra. Uma das estratégias mais utilizadas com as crianças que fazem birras é colocá-las sentadas numa cadeira já designada para o efeito ou então numa esquina, de onde apenas podem sair quando a mãe ou pai disser. Ora, como detestam estar confinados, os miúdos normalmente acalmam-se rapidamente e, ansiosos para saírem da sua “prisão”, começam logo a pedir para sair com promessas de bom comportamento!
Como lidar com birras persistentes? Claro que existem miúdos com pulmões de verdadeiros sopranos e pilhas que parecem não ter prazo de vida, resultando em birras que não cessam e têm tendência para piorar. Nestes casos, é importante estabelecer contacto físico com a criança (colocar-se ao seu nível, abraçá-la, pegar nela ao colo), com o intuito de a acalmar, sem ceder ao seu pedido. Concentre-se no seu estado emocional e não na sua exigência, falando com ela tranquilamente, de preferência sobre outras coisas. Felizmente, a fase das birras é isso mesmo, uma fase passageira. No entanto, se sentir que as birras da sua criança se tornam mais frequentes e sem sinais de abrandamento, fale com o seu pediatra.
Converse muito. Finda a birra, é importante conversar com a criança sobre aquilo que se passou – o que estava certo e o que estava errado, porque é que não pode voltar a acontecer, as consequências de uma futura birra e as consequências do bom comportamento. A autodisciplina é ensinar a criança a controlar, positivamente, as situações em que se encontra. Uma vez conquistada, as birras desaparecem, quase como por magia.
Acho que me portei bem e passei no teste.
Sunday, February 3, 2013
Ao deitar
À noite, ao deitar:
- "Quero arroz de pato." (...)
E acrescentaste: - Mas de borracha... (...)
Vou pedir ao Pedro Strech que inclua esta frase nos seus direitos:
Todas as crianças com mais de cinco anos têm direito a desabafar. Todas as crianças até aos onze ou doze anos têm direito a andar grátis no Carrossel quando estão de férias. Todas as crianças que andam na Escola têm direito a serem alegres, terem amigos e a brincarem com os outros. Têm direito a ter uma Professora que não grite com elas. Todas as crianças têm direito a ver o mar verdadeiro, especialmente em dia de maré vazia. Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher um chocolate que lhes apeteça. Todas as crianças têm direito a terem orgulho na sua existência. Todas as crianças têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o coração, até serem velhas, aí com uns vinte anos. Todas as crianças têm direito a terem em casa o Pai e a Mãe, os irmãos, se houver, e comida. Se o Pai e Mãe não conseguirem viver juntos têm direito a que cada um deles respeite o outro. Todas as crianças têm direito a deitarem-se no chão para ver as nuvens passar, imaginando formas de todos os bichos do Mundo combinadas com as coisas que quiserem (por exemplo, um cão a andar de patins ou uma girafa de orelhas compridas). Todas as crianças têm direito a começarem uma colecção não interessa de quê. Todas as crianças têm direito a chupar o dedo indicador que espetaram num bolo acabado de fazer ou então lamber a colher com que raparam a taça em que ele foi feito. Todas as crianças têm direito a tentarem manter-se acordadas até tarde numa noite de Verão, na esperança de verem uma estrela cadente e pedirem três desejos (a justiça devia fazer acontecer sempre pelo menos um). Todas as crianças têm direito a escrever ou a falar uma linguagem inventada por elas (ou que julgam inventada por elas), como por exemplo a «linguagem dos pês»: «apalinpingupuapagempem dospos pêspês». Todas as crianças têm direito a imaginar o que vão querer fazer quando forem grandes (habitualmente coisas extravagantes) e a perguntar aos adultos «o que queres ser quando fores pequenino?». Todas as crianças têm direito a dormir numa cama sua, sentindo o cheiro da roupa lavada, e a terem um espaço próprio na casa, pelo menos a partir do ano de idade. Todas as crianças têm direito a passear na rua tentando pisar apenas o empedrado branco (ou só o preto); em opção, têm direito a fazer uma viagem contando quantos carros vermelhos passam na faixa contrária. Todas as crianças meninos têm direito a, pelo menos uma vez na vida, perguntar a uma menina «queres ser a minha namorada?» e todas as meninas têm direito a, pelo menos uma vez na vida, responder, «sim, quero». Todas as crianças têm direito a ouvir um adulto contar pelo menos uma destas histórias: Peter Pan, o Principezinho ou o Príncipe Feliz. Todas as crianças têm direito a ter alegria suficiente para imaginar coisas boas antes de dormirem e depois, a sonhar com elas. Todas as crianças têm direito a ter um boneco de peluche preferido, especialmente quando velho, já lavado e mesmo com um olho a menos. Todas as crianças (especialmente se já adolescentes) têm direito a usar os ténis preferidos, mesmo que rotos e com cheiro tóxico. Todas as crianças têm direito a poder tomar banho sozinhas e a experimentar mergulhar na banheira contando o tempo que aguentam sem respirar. Todas as crianças têm direito a jogar aos polícias e ladrões, preferindo inevitavelmente serem ladrões. Todas as crianças têm direito a ter um colo onde se possam sentar, enroscar como numa concha e receber mimos. Todas as crianças têm direito a nascer iguais em direitos. Todas as crianças têm direito a conhecer o sítio onde nasceram e a visitá-lo livremente. Todas as crianças têm direito a não ficarem sozinhas a chorar. Todas as crianças têm direito a viver num País que tenha um Ministério da Infância e Juventude, que olhe verdadeiramente pelo crescimento afectivo e bem-estar interior (sem preconceitos adultocêntricos ou hipocrisias com ares de cromo abrilhantado). Todas as crianças têm direito a acreditar que têm um adulto que olha por elas e as ama sem condição prévia (nem que seja Nosso Senhor). Todas as crianças têm direito a viver felizes e a ter paz nos seus pensamentos e sentimentos. Todas as crianças têm direito a pedir arroz de pato ao deitar, mesmo que seja de borracha.
- "Quero arroz de pato." (...)
E acrescentaste: - Mas de borracha... (...)
Vou pedir ao Pedro Strech que inclua esta frase nos seus direitos:
Todas as crianças com mais de cinco anos têm direito a desabafar. Todas as crianças até aos onze ou doze anos têm direito a andar grátis no Carrossel quando estão de férias. Todas as crianças que andam na Escola têm direito a serem alegres, terem amigos e a brincarem com os outros. Têm direito a ter uma Professora que não grite com elas. Todas as crianças têm direito a ver o mar verdadeiro, especialmente em dia de maré vazia. Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher um chocolate que lhes apeteça. Todas as crianças têm direito a terem orgulho na sua existência. Todas as crianças têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o coração, até serem velhas, aí com uns vinte anos. Todas as crianças têm direito a terem em casa o Pai e a Mãe, os irmãos, se houver, e comida. Se o Pai e Mãe não conseguirem viver juntos têm direito a que cada um deles respeite o outro. Todas as crianças têm direito a deitarem-se no chão para ver as nuvens passar, imaginando formas de todos os bichos do Mundo combinadas com as coisas que quiserem (por exemplo, um cão a andar de patins ou uma girafa de orelhas compridas). Todas as crianças têm direito a começarem uma colecção não interessa de quê. Todas as crianças têm direito a chupar o dedo indicador que espetaram num bolo acabado de fazer ou então lamber a colher com que raparam a taça em que ele foi feito. Todas as crianças têm direito a tentarem manter-se acordadas até tarde numa noite de Verão, na esperança de verem uma estrela cadente e pedirem três desejos (a justiça devia fazer acontecer sempre pelo menos um). Todas as crianças têm direito a escrever ou a falar uma linguagem inventada por elas (ou que julgam inventada por elas), como por exemplo a «linguagem dos pês»: «apalinpingupuapagempem dospos pêspês». Todas as crianças têm direito a imaginar o que vão querer fazer quando forem grandes (habitualmente coisas extravagantes) e a perguntar aos adultos «o que queres ser quando fores pequenino?». Todas as crianças têm direito a dormir numa cama sua, sentindo o cheiro da roupa lavada, e a terem um espaço próprio na casa, pelo menos a partir do ano de idade. Todas as crianças têm direito a passear na rua tentando pisar apenas o empedrado branco (ou só o preto); em opção, têm direito a fazer uma viagem contando quantos carros vermelhos passam na faixa contrária. Todas as crianças meninos têm direito a, pelo menos uma vez na vida, perguntar a uma menina «queres ser a minha namorada?» e todas as meninas têm direito a, pelo menos uma vez na vida, responder, «sim, quero». Todas as crianças têm direito a ouvir um adulto contar pelo menos uma destas histórias: Peter Pan, o Principezinho ou o Príncipe Feliz. Todas as crianças têm direito a ter alegria suficiente para imaginar coisas boas antes de dormirem e depois, a sonhar com elas. Todas as crianças têm direito a ter um boneco de peluche preferido, especialmente quando velho, já lavado e mesmo com um olho a menos. Todas as crianças (especialmente se já adolescentes) têm direito a usar os ténis preferidos, mesmo que rotos e com cheiro tóxico. Todas as crianças têm direito a poder tomar banho sozinhas e a experimentar mergulhar na banheira contando o tempo que aguentam sem respirar. Todas as crianças têm direito a jogar aos polícias e ladrões, preferindo inevitavelmente serem ladrões. Todas as crianças têm direito a ter um colo onde se possam sentar, enroscar como numa concha e receber mimos. Todas as crianças têm direito a nascer iguais em direitos. Todas as crianças têm direito a conhecer o sítio onde nasceram e a visitá-lo livremente. Todas as crianças têm direito a não ficarem sozinhas a chorar. Todas as crianças têm direito a viver num País que tenha um Ministério da Infância e Juventude, que olhe verdadeiramente pelo crescimento afectivo e bem-estar interior (sem preconceitos adultocêntricos ou hipocrisias com ares de cromo abrilhantado). Todas as crianças têm direito a acreditar que têm um adulto que olha por elas e as ama sem condição prévia (nem que seja Nosso Senhor). Todas as crianças têm direito a viver felizes e a ter paz nos seus pensamentos e sentimentos. Todas as crianças têm direito a pedir arroz de pato ao deitar, mesmo que seja de borracha.
A frase do dia
Dormimos os dois à tarde e foste tu a acordar-me...Olhaste para mim e disseste:
- "Mamã...minha querida!".
E o sol inundou o quarto e transbordou o meu coração inerte.
- "Mamã...minha querida!".
E o sol inundou o quarto e transbordou o meu coração inerte.
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