Monday, December 30, 2013

Frases. Soltas.

"Eu já sou grande e sei o que faço"

"Não é justo mamã" (quando retirei o filme que tu vias para aceder a uma receita para o almoço)

"Não consigo dormir. Tenho muito energia."


Sunday, November 3, 2013

Noite das bruxas.







Sem dar por isso entrámos no mundo do haloween e rumámos a várias portas a entoar os "bolinhos e bolinhós" que aprendeste num ímpeto. Na cabeceira do grupo uma abobora habilidosamente recortada. Puseste a cabeleira de bruxa da Tia Teresa e estavas divinino com cabelos compridos mesmo que abonassem madeixas brancas. Meu menino lindo.
No final ganhaste um saco de gomas, chupas, rebuçados e afins e ainda umas moedas para o mealheiro. Prémios à parte, sentir a tua gargalhada e o teu coração cheio foi o melhor, do melhor. Porque há noites em que as bruxas são boas.

Preciso ser auscultado!

Estás constipado há uma semana  ainda que a febre tenha ido sem deixar rasto.
Ontem anunciaste depois do jantar:
"Preciso de ser ausculatado mamã!".
E assim ganhaste uma ida à casa da Tia Teresa (a senhora da auscultação) onde, depois de trezentas camabalhotas, saltos e correrias com o Luca, te portaste como um herói a ser finalmente auscultado. Respirar fundo.
Abrir a boca.
 Língua de fora.
Respirar fundo.
Abrir a boca.
 Respeirar fundo.



Saturday, October 5, 2013

Manhã.

Ao acordar:

- Tu és o meu amor
Entre mil beijos e esfreganços, pergunto sempre sem me cansar:
- Porquê?
- Porque és linda de morrer ...
- E és amiga...
- E mais? (continuo insaciável)
- Já não me apetece falar mais.

Tuesday, September 17, 2013

Birras (a palavra temida)

Um Pediatra mencionou 10 coisas que não devemos dizer às crianças. E eu assumo que tenho usado amiúde a décima.
As tuas birras tiram-me por completo da minha zona de conforto e sinto-me, amiude, impotente para lidar com elas.
Estou a reiventar-me diariamente.



1 – Não rotule seu filho de pestinha, chato, lerdo ou outro adjetivo agressivo, mesmo que de brincadeira. Isso fará com que ele se torne realmente isso.

2 – Não diga apenas sim. Os nãos e porquês fazem parte da relação de amizade que os pais querem construir com os filhos.

3 – Não pergunte à criança se ela quer fazer uma atividade obrigatória ou ir a um evento indispensável. Diga apenas que agora é a hora de fazer.

4 – Não mande a criança parar de chorar. Se for o caso, pergunte o motivo do choro ou apenas peça que mantenha a calma, ensinando assim a lidar com suas emoções.

5 – Não diga que a injeção não vai doer, porque você sabe que vai doer. A menos que seja gotinha, diga que será rápido ou apenas uma picadinha, mas não engane.

6 – Não diga palavrões. Seu filho vai repetir as palavras que ouvir.

7 – Não ria do erro da criança. Fazer piada com mau comportamento ou erros na troca de letras pode inibir o desenvolvimento saudável.

8 – Não diga mentiras. Todos os comportamentos dos pais são aprendidos pelos filhos e servem de espelho.

9 – Não diga que foi apenas um pesadelo e mande voltar para a cama. As crianças têm dificuldade de separar o mundo real do imaginário. Quando acontecer um sonho ruim, acalme seu filho e leve-o para a cama, fazendo companhia até dormir.

10 – Nunca diga que vai embora se não for obedecido. Ameaças e chantagens nunca são saudáveis.

Tuesday, August 27, 2013

Bifes de areia para o jantar

Fomos ao talho em busca de uma qualquer iguaria para ti numa busca incessante de contrariar o teu fastio.
Na "montra" estavam uns belos panados de frango, perante os quais exclamaste:
"Mamã, estes bifes estão cheios de areia" (sic)
E foi assim que comeste bifes de areia ao jantar.

Tuesday, August 13, 2013

A cama grande.

E porque a tua cama de grades se estragou (nas tuas próprias palavras) arrumámo-la para a eternidade.
E redecorámos o teu espaço, atentas as exigências de um papá pragmático e de uma mamã sonhadora.
E ontem (depois de uns dias de mimo em casa da avó Gi e do avô Toni) dormiste pela primeira vez na cama grande.
E gostaste.

A prenda para a Joana Relvão

Conversa entre mãe e filho:
- " A Joana Relvão fez anos. Temos que lhe comprar uma prenda. O que podiamos dar-lhe?"
- "Um camião."
Segundos depois:
"Um camião do lixo. Amarelo. Como tem o Martim."
(importa esclarecer que o dito foi uma das prendas mais cobiçadas no último natal pela cria).

Escolinha

Falei-te da escolinha e quis saber se tinhas saudades dela.
E decidi introduzir o tema que te espera em setembro uma vez que os teus amigos (incluindo o Miguel que me parece ser a tua primeira verdadeira referência) vão todos abandonar a casa cor-de-rosa em busca de uma vaga garantida na escola primária...

Eu - "Vais ter meninos novos na tua escolinha e vais fazer novos amigos"
Tu - "Mas eu quero os meus amigos velhinhos e a minha sala velhinha".

Silêncio.



Saturday, July 20, 2013

Doces sem cor

O avô Toni trouxe doces algarvios e tu estavas excitadíssimo para os abrir.
Enquanto lambias um, exclamaste:

- Mamã eu nunca comi doces na minha vida!
- Ai não ? Exlamei intrigada...
- Não, eu antes não gostava!

NOTA: Enquanto escrevia este post dei conta que a dita caixa com os ditos bolos foi literalmente lambuzada e as peças de arte algarvias perderam a cor...


Sunday, June 30, 2013

Aviões e liberdade

Numa conversa livre em que queria filmar-te para toda a eternidade, sentado com pernas à chinês na mesa da nossa varanda, surpreendeste-me (como aliás sempre) pela escolha de um vocabulário rico e denso, tão longe de um menino de três anos (a caminho do meio...):

- Sabes mamã esta não é propriamente a nossa casa.... (a propósito de uma longa dissertação sobre a casa de cima e do prédio gigante que se avista no horizonte)
- Aquele avião não tem asas por isso desiquilibrou-se e caiu...
- Há aviões que não têm asas: os helicópteros!

E eu voo e sorrio com ou sem asas a teu lado.

http://www.youtube.com/watch?v=iM3ymLH3VAo

Desfralde num passe de magia

E assim, como num passe de magia, deixámos as fraldas e trouxeste-nos um orgulho imensurável em ti. Nas tuas capacidades, nas tuas convições, na tua força.
A escola deu o mote ao pedir que te apresentasses de cuecas e ao colocar-te no bacio de hora a hora. Nós continuámos em casa e tu fizeste o resto.
Avisas, pedes o bacio e, nos últimos dias, o redutor que colocas sabiamente na sanita.
Eu canto uma música quando tu consegues e saltamos juntos. Tu ris a olhar para mim quando sentes que consegues. E eu sorrio num orgulho desmedido enquanto mentalmente arrumo fraldas de pano e fraldas descartáveis em mais uma mala para o sótão. No mesmo onde um mundo de bébé já está encerrado.



Torradas pintadas

Fiz torradas esta manhã e deixei que tostassem até queimar.
Olhas-te para elas e questionaste:
- porque as pintaste mamã?!

(...)

Wednesday, May 29, 2013

A tua boca ocupada.

Estou em casa contigo a propósito de mais uma virose vinda não sei de onde.
Tentava (como aliás faço tantas e tantas vezes) obter alguma informação do teu quotidiano na escola. Depois de algumas perguntas, disseste-me:

- "Não quero falar mais".
- "Porquê?"- retorqui.
- "Porque tenho a boca ocupada".


Friday, March 29, 2013

Coração de mãe pintado de arco iris...

De manhã, ainda cedo, abeiraste-te de mim e disseste:

"Tu és o meu amor."

E, nesse momento o meu mundo transbordou e o arco iris pintou-me o coração.



Saturday, February 23, 2013

Não gosto.

Não gosto de birras, de comportamentos bizarros que apresentas e que, outrora, eu recriminava nos filhos dos outros.
Não gosto que não partilhes e que tenhas um sentimento de posse tão enraízado. Mesmo que seja só uma fase. Mesmo que seja normativo.
Não gosto de me sentir perdida na forma de te conduzir.
Não gosto que tenhas perdido os teus caracóis de ouro.
Não gosto de olhar para fotografias de há um ano atrás e e sentir que perdi uma imensidão de ti.
Não gosto de não te ir buscar à escola. Mesmo que seja melhor para ti seres resgatado mais cedo.
Não gosto da tua manifesta independência de mim em múltiplos domínios...


Monday, February 18, 2013

Gosto.


Gosto do cheiro do teu cabelo.
Gosto das tuas mãos perfeitas e das festas que recebo delas (mesmo que sejam manipuladas por mim).
Gosto que me peças colo quando estamos os dois deitados e venhas para cima de mim (ainda que há muito que não te aloje no meu abdómen, como fazia há 3 anos atrás).
Gosto que cantes. Tanto tanto até me emocionar.
Gosto dos teus abraços quando chego ao final do dia (mesmo que escassos).
Gosto de dançar contigo e de saltar contigo em cima da cama. Na mesma proporção que tu.
Gosto do teu sorriso e da tua gargalhada aberta quando te faço rodopiar ou te encho de cócegas.
Gosto que cavalgues em cima da minha perna, enquanto trauteio o Dartacão...
Gosto de não acabar as palavras para que sejas tu a completá-las.
Gosto que gostes.


Thursday, February 14, 2013

A frase no processo.



Enquanto eu trabalhava na mesa do escritório, sentaste-te ao meu colo, olhaste os meus processos, apontaste para uma frase de um deles e exclamaste:

- "Está aqui escrito que hoje não vais trabalhar."
(...)
- "Porquê?" - perguntei eu

- "Porque vais ficar comigo!"

Comentários prescindem-se.

Tuesday, February 5, 2013

A ludoteca e a birra

Hoje fomos à Ludoteca que não parece, de todo, um espaço público. As pessoas são simpáticas e pacientes e mimam os meninos, o local tem uma decoração linda, há múltiplos brinquedos, jogos, um quarto com cama e mesa de cabeçeira em miniatura e uma cozinha de brincar. Uma pista de madeira que faz as tuas delícias. Um mimo. Gratuito. Totalmente gratuito.

E, uma vez mais, não soubeste partilhar os brinquedos ainda que a mamã te tenha dito, antes de entrar, que eles eram de todos e que tínhamos que emprestar. Reages mal à frustração e tens na birra a tua melhor aliada para lidares com ela. Deitas-te-te no chão duas vezes, esperneaste e choraste para espetáculo dos presentes e minha vergonha. Obrigaste-me a roubar-te ao espaço, a dar-te um ultimato. E deixaste-me impotente e triste enquanto digeria, a tanto custo que educar é uma tarefa de uma enorme complexidade.




A propósito de birra:

"As MANIFESTAÇÕES das birras são várias: choro, gritos, pontapés, rigidez, extensão dos membros e do tronco. Além disso, a criança pode bater nos outros, bater com a cabeça no chão ou nas paredes, morder-se, atirar-se para o chão, espernear, fugir, atirar com objectos, suster a respiração ou desencadear o vómito.
As CAUSAS da birra, nestas idades, devem-se ao facto de a criança não possuir, ainda, mecanismos para lidar com a frustração, a sua linguagem verbal é insuficiente, não tem capacidade para perceber o futuro e adiar as suas vontades e tem poucas competências para resolver problemas. Pode, assim, recorrer à birra para chamar sobre si a atenção do adulto ou, sobretudo a partir dos 3 anos quando já domina melhor a linguagem falada, como forma de obter o que quer e manipular o adulto."



E então, o que fazer?


Mantenha a calma. Talvez a coisa mais difícil de fazer no meio de uma sessão de birras, mas a mais eficaz. Se contribuir para esse cenário, estará a assemelhar os dois comportamentos e, no que toca à pequenada, elas imitam muito facilmente o comportamento dos adultos, seja positivo ou negativo. Respire fundo, não eleve a voz, não ceda aos nervos, seja claro e dê o bom exemplo.

Ignore-a. Pode parecer, à primeira vista, um pouco desumano ignorar uma criança, mas no fundo, pretende-se que ignore a birra – não responda à criança, não olhe para a criança, não acuse o seu comportamento de forma alguma. Nas primeiras birras esta atitude pode não resultar em pleno, aumentando até a sua intensidade (para chamar a sua atenção claro!) mas, se o fizer regularmente, as birras vão acabar porque a criança vai perceber que não estão a surtir efeito.

Evite utilizar a força física com a criança. A birra em si já é tão “violenta” e descontrolada que bater a criança vai apenas incendiar um fogo que já está a arder e muito. Para além disso, as birras podem ter subjacentes outros cenários: cansaço, fome, stress, o que significa que o mais importante nesse momento é reconquistar a estabilidade.

Deixe a criança sozinha. Se a birra ocorrer em casa ou noutro espaço familiar, experimente distanciar-se da criança, deixando-a sozinha durante alguns minutos ou segundos. Claro que uma criança zangada e a só pode fazer estragos, por isso, controle esse tempo conforme a sua idade – os especialistas apontam para um minuto para cada ano da criança (se a criança tiver 5 anos, não a deixe sozinha mais do que 5 minutos, por exemplo). É uma espécie de “castigo” que funciona muito bem porque, não tendo “audiência” a criança vai acabar por se acalmar mais rapidamente. No entanto, e para se salvaguardar de uma possível parte dois, só a deixe voltar com estiver tranquila e em silêncio pelo menos durante 30 segundos seguidos.

Não ameace com castigos que não vai conseguir cumprir. Se optar por esta estratégia ameaçadora, mas sem consequências reais, a criança não terá problema algum em repetir a birra. Uma criança tem de estar ciente das consequências que possam advir das suas acções, boas e más. Da mesma forma que deve ser elogiada por ter arrumado o seu quarto ou brinquedos, tem de ser castigada se bater no irmão ou fizer uma birra. Uma das estratégias mais utilizadas com as crianças que fazem birras é colocá-las sentadas numa cadeira já designada para o efeito ou então numa esquina, de onde apenas podem sair quando a mãe ou pai disser. Ora, como detestam estar confinados, os miúdos normalmente acalmam-se rapidamente e, ansiosos para saírem da sua “prisão”, começam logo a pedir para sair com promessas de bom comportamento!

Como lidar com birras persistentes? Claro que existem miúdos com pulmões de verdadeiros sopranos e pilhas que parecem não ter prazo de vida, resultando em birras que não cessam e têm tendência para piorar. Nestes casos, é importante estabelecer contacto físico com a criança (colocar-se ao seu nível, abraçá-la, pegar nela ao colo), com o intuito de a acalmar, sem ceder ao seu pedido. Concentre-se no seu estado emocional e não na sua exigência, falando com ela tranquilamente, de preferência sobre outras coisas. Felizmente, a fase das birras é isso mesmo, uma fase passageira. No entanto, se sentir que as birras da sua criança se tornam mais frequentes e sem sinais de abrandamento, fale com o seu pediatra.

Converse muito. Finda a birra, é importante conversar com a criança sobre aquilo que se passou – o que estava certo e o que estava errado, porque é que não pode voltar a acontecer, as consequências de uma futura birra e as consequências do bom comportamento. A autodisciplina é ensinar a criança a controlar, positivamente, as situações em que se encontra. Uma vez conquistada, as birras desaparecem, quase como por magia.



Acho que me portei bem e passei no teste.

Sunday, February 3, 2013

Ao deitar

À noite, ao deitar:
- "Quero arroz de pato." (...)
E acrescentaste: - Mas de borracha... (...)


Vou pedir ao Pedro Strech que inclua esta frase nos seus direitos:

 Todas as crianças com mais de cinco anos têm direito a desabafar. Todas as crianças até aos onze ou doze anos têm direito a andar grátis no Carrossel quando estão de férias. Todas as crianças que andam na Escola têm direito a serem alegres, terem amigos e a brincarem com os outros. Têm direito a ter uma Professora que não grite com elas. Todas as crianças têm direito a ver o mar verdadeiro, especialmente em dia de maré vazia. Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher um chocolate que lhes apeteça. Todas as crianças têm direito a terem orgulho na sua existência. Todas as crianças têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o coração, até serem velhas, aí com uns vinte anos. Todas as crianças têm direito a terem em casa o Pai e a Mãe, os irmãos, se houver, e comida. Se o Pai e Mãe não conseguirem viver juntos têm direito a que cada um deles respeite o outro. Todas as crianças têm direito a deitarem-se no chão para ver as nuvens passar, imaginando formas de todos os bichos do Mundo combinadas com as coisas que quiserem (por exemplo, um cão a andar de patins ou uma girafa de orelhas compridas). Todas as crianças têm direito a começarem uma colecção não interessa de quê. Todas as crianças têm direito a chupar o dedo indicador que espetaram num bolo acabado de fazer ou então lamber a colher com que raparam a taça em que ele foi feito. Todas as crianças têm direito a tentarem manter-se acordadas até tarde numa noite de Verão, na esperança de verem uma estrela cadente e pedirem três desejos (a justiça devia fazer acontecer sempre pelo menos um). Todas as crianças têm direito a escrever ou a falar uma linguagem inventada por elas (ou que julgam inventada por elas), como por exemplo a «linguagem dos pês»: «apalinpingupuapagempem dospos pêspês». Todas as crianças têm direito a imaginar o que vão querer fazer quando forem grandes (habitualmente coisas extravagantes) e a perguntar aos adultos «o que queres ser quando fores pequenino?». Todas as crianças têm direito a dormir numa cama sua, sentindo o cheiro da roupa lavada, e a terem um espaço próprio na casa, pelo menos a partir do ano de idade. Todas as crianças têm direito a passear na rua tentando pisar apenas o empedrado branco (ou só o preto); em opção, têm direito a fazer uma viagem contando quantos carros vermelhos passam na faixa contrária. Todas as crianças meninos têm direito a, pelo menos uma vez na vida, perguntar a uma menina «queres ser a minha namorada?» e todas as meninas têm direito a, pelo menos uma vez na vida, responder, «sim, quero». Todas as crianças têm direito a ouvir um adulto contar pelo menos uma destas histórias: Peter Pan, o Principezinho ou o Príncipe Feliz. Todas as crianças têm direito a ter alegria suficiente para imaginar coisas boas antes de dormirem e depois, a sonhar com elas. Todas as crianças têm direito a ter um boneco de peluche preferido, especialmente quando velho, já lavado e mesmo com um olho a menos. Todas as crianças (especialmente se já adolescentes) têm direito a usar os ténis preferidos, mesmo que rotos e com cheiro tóxico. Todas as crianças têm direito a poder tomar banho sozinhas e a experimentar mergulhar na banheira contando o tempo que aguentam sem respirar. Todas as crianças têm direito a jogar aos polícias e ladrões, preferindo inevitavelmente serem ladrões. Todas as crianças têm direito a ter um colo onde se possam sentar, enroscar como numa concha e receber mimos. Todas as crianças têm direito a nascer iguais em direitos. Todas as crianças têm direito a conhecer o sítio onde nasceram e a visitá-lo livremente. Todas as crianças têm direito a não ficarem sozinhas a chorar. Todas as crianças têm direito a viver num País que tenha um Ministério da Infância e Juventude, que olhe verdadeiramente pelo crescimento afectivo e bem-estar interior (sem preconceitos adultocêntricos ou hipocrisias com ares de cromo abrilhantado). Todas as crianças têm direito a acreditar que têm um adulto que olha por elas e as ama sem condição prévia (nem que seja Nosso Senhor). Todas as crianças têm direito a viver felizes e a ter paz nos seus pensamentos e sentimentos. Todas as crianças têm direito a pedir arroz de pato ao deitar, mesmo que seja de borracha.

A frase do dia

Dormimos os dois à tarde e foste tu a acordar-me...Olhaste para mim e disseste:
- "Mamã...minha querida!".
E o sol inundou o quarto e transbordou o meu coração inerte.



Nascimento


Nasceste. Três anos e 20 dias depois a perpetuar o arco-íris.