Tuesday, July 28, 2015

Dás inúmeros beijos.

Chamas-lhe "manecas". Sem ninguém o sugerir. Sem ninguém o mencionar. Sem o teres ouvido antes.
Procura-lo amiúde e ecntras-te nele.
Dás-lhe inúmeros beijos sem te cansar e és de um carinho  absolutamente enternecedor.

Trata-lo na terceira pessoa e deleitas-me com o teu inigualável: "você"....

Vais buscar a chupeta, a fralda, os meus discos na hora de amamentar. Dás inúmeros  beijos.
Toca-lhes na cabeça e, por vezes, não medes a força ao abaná-lo. Dás inúmeros  beijos. Espreita-lo. Gostas de o ver rir e imitas o teu pai ao exclamar: "você tá-se a rir todo?!". Deleitas-te com os punzinhos e quando ele faz cocó (afinal a fase interminável do xixi e cocó ainda não desapareceu). Dás inúmeros beijos. Falas com ele. Perguntas o que tem quando chora. Ajudas a mudar a fralda. Queres sempre ver tudo o que lhe fazemos e vais buscar qualquer banco para te empoleirares e veres o cenário todo. Dás inúmeros beijos. Empurras o carrinho dele e ris-te desalmadamente quando, prepositadamente, vais contra as portas. Cantas comigo (ou mesmo sózinho) uma música de embalar quando ele chora e nunca te queixas do choro dele. Dás inúmeros  beijos. Brincas com ele. Mostra-lhes objectos e acena-las com a mão para o tentar sossegar. Dás inúmeros  beijos.

Monday, July 27, 2015

A chegada do Lourenço

E o Lourenço nasceu.
Num domingo cinzento e chuvoso, o primeiro do mês de maio, o domingo do dia da mãe*.
Entraste no quarto com um casaco azul ao colo da avó Graça. Foste colocado em frente a ele e eu, mergulhada em emoção e lágrimas, segui-te. Tocaste-lhe na testa. Depois na face. Ele dormia placidamente e tu querias perceber se ele seria real. E fizeste o teste.
Segundos depois, a tua atenção era focada para a prenda que ele te trouxe (ainda que tenhas estado sempe céptico nessa arte de te explicar que o bebé traria uma prenda algures de dentro da barriga da mãe). Focalizado na prenda e no repto de ires até casa da madrinha Teresa, partiste minutos depois.
Sempre e para sempre ficará a tua mão na testa dele, o teu coração sob a sua pele.



* Nas imagens que guardo em mim do quarto da maternidade estará sempre a tua prenda a assinalar o dia: uma caixa de costura feita numa caixa de ovos com a data e o teu nome pot ti gravados.